CASAS CONSTRUÍDAS EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO

Reportagem flagra casal derrubando árvores a machadadas em Sítio dos Pintos, bairro da Zona Norte do Recife incluído na Zona Especial de Proteção Ambiental. Um dos maiores fragmentos florestais do Recife, na Zona Norte, está sendo ocupado por casebres. A mata, em Sítio dos Pintos, é vizinha à comunidade Alto Bom Jesus, que tem como zona de expansão a área verde. Ontem, o JC flagrou o corte de árvores típicas do ecossistema, reduzido a menos de 6% no Nordeste. Um casal derrubava, a machadadas, galhos e troncos de árvores. As casas improvisadas se expandem em direção à floresta num ritmo intenso. “Cheguei aqui há três meses e não tinha esses barracos aí embaixo”, diz a auxiliar de serviços gerais Maria da Conceição Feliciano Coelho. 

Maria da Conceição se refere a três casas com paredes de placas de metal, plástico e madeira erguidas sobre o chão de barro batido. “Levantei meu barraco há um mês”, confirma a dona de casa Claudia Cristina Bezerra de Barros. As cercas são feitas de arame farpado e as estacas, de galhos de árvores nativas. O esgoto dos casebres escorre para um córrego que corta o fragmento de mata atlântica. As habitações contam com água encanada, desviada da rede de abastecimento e a energia vem de gambiarras. O lixo, quando não se acumula nas encostas já ocupadas, desliza em direção à vegetação.Os moradores garantem que nenhum órgão de fiscalização visitou o local, de difícil acesso. “Aqui? Nem prefeitura, nem Ibama, nem CPRH. Nunca teve ninguém”, diz um comerciante da entrada do Algo Bom Jesus, que pediu para não ser identificado. 

Segundo ele, a área pertence à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Não há cercas, tampouco placas. Pela localização, trata-se da Zona Especial de Proteção Ambiental (Zepa) Sítio dos Pintos. Há 25 Zepas na cidade. Compostas por manguezal, mata atlântica ou lagoas, figuram como unidades de conservação no planejamento urbano do Recife. No decreto de criação das Zepas, a do Sítio dos Pintos figura como, quase na totalidade, pertencente à URFPE. De acordo com a legislação municipal, nas Zepas é proibido o parcelamento do solo, bem como a retirada de vegetação remanescente de mata atlântica ou de outro ecossistema, em qualquer estágio de regeneração. Também só são permitidos usos e intervenções físicas que garantam a sustentabilidade e a preservação dos sistemas naturais.