CIDADÃO REPORTER // Comunidade quer conta d'água com taxa social

Sítio dos Pintos - Moradores tinham poço próprio, que passou a ser administrado pela Compesa e reclamam agora da instalação de hidrômetros individuais nas suas residências.
Ana Paula Neiva
Água nas torneiras, mas pagando apenas a taxa social. É assim que a comunidade do Sítio dos Pintos, em Dois Irmãos, espera que a Compesa faça a cobrança pelo fornecimento.
Maria José Moreira diz que, com o hidrômetro individual, a maioria dos moradores não tem condição de pagar o valor da conta de água.
Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
Os moradores alegam que possuem poço próprio desde 1986 e, por isso, acreditam que devam pagar apenas a taxa social, que hoje é de R$ 8,56. A construção do poço foi uma conquista da comunidade mas, desde a década de 1990, sua administração vem sendo conduzida pela Compesa. No entanto, há um ano, a companhia deu início à instalação dos hidrômetros individuais para então regulamentar a cobrança do fornecimento de acordo com o consumo de cada um. O que tem deixado os moradores apreensivos. "A questão é que a Compesa em nenhum momento se reuniu ou convocou a gente para apresentar e debater a proposta. O Sítio dos Pintos é uma comunidade carente e tem um poço de água próprio e os moradores já pagam a conta de água", denunciou o cidadão-repórter Zé Alberto, o Betinho do Sítio dos Pintos.
Ontem, a reportagem do Diario esteve na comunidade. A presidente do Conselho de Moradores, Maria José Moreira, contou que o poço foi construído pela antiga Companhia Integrada de Serviços Agropecuários (Cisagro), em 1986, no governo de Miguel Arraes. "Ficamos dois anos cuidando da manutenção dos serviços mas, como a bomba às vezes quebrava e ficávamos sem ter como fazer o conserto, em 1989, entregamos a administração à Compesa", esclareceu a líder comunitária. Agora, segundo ela, a companhia de abastecimento está querendo cobrar pelo serviço de forma diferenciada. "Ora, somos uma comunidade carente, as pessoas que vivem aqui são assalariadas, biscateiros e desempregados. Ninguém tem condições de pagar tão caro pelo consumo de água. Não somos contra a cobrança, queremos apenas pagar um preço mais justo", argumentou.
De acordo com Maria José, há pelo menos 50 moradores que já tiveram o hidrômentro instalado em suas residências. "Tem gente que pagava a taxa mínima de R$ 21, e agora, está pagando R$ 150", comentou. A dona de casaValéria Maria da Silva, moradora da Avenida Arnaldo Paes de Andrade, é uma delas. Residindo na casa de número 60, desde março, ela está preocupada com as contas de água. "Mês passado, veio quase R$ 75. Assim, não tenho condições de pagar o aluguel de R$ 230, mais a conta de água", confessou a mulher, que já procura outro imóvel para se mudar. Valéria diz que tem feito racionamento dentro de casa por acreditar que o relógio do hidrômetro instalado em sua casa gira muito rápido. "Vejam como ele funciona", mostrou a dona de casa, ligando a torneira do jardim.
Segundo o morador, Sebastião Lira, 54, a Compesa nunca dialogou amplamente. "Estão impondo a colocação dos hidrômetros", alegou. A comunidade do Sítio dos Pintos tem uma população de 5,660 habitantes, segundo dados do IBGE/Censo de 2000. A localidade integra a 3ª Região Político-Administrativa do Recife, formada por um total de 29 bairros. Encravada entre os bairros de Caxangá e Dois Irmãos, faz divisa com o município de Camaragibe, ocupando uma área de 178 hectares.
Equilíbrio - O diretor comercial da Compesa, Décio Padilha, explicou que a instalação do hidrômetro individual é indispensável para viabilizar o equilíbrio no abastecimento do sistema em Sítio dos Pintos. "Desde outubro fizemos uma reunião com a comunidade e decidimos que faríamos um recadastramento geral da tarifa social, o que já está sendo feito", esclaeceu. Segundo ele, para ser enquadrado na tarifa social, o morador precisa consumir apenas 10 metros cúbicos de água por mês, ter um consumo de energia elétrica de até 80 quilowats, residir em um imóvel de até 60 metros quadrados, e estar inserido em algum programa social do governo. "Só podemos ter o controle do consumo, se tivermos como fazer a medição. Por isso, estamos instalando os hidrômetros. Como é que a gente vai saber se é ou não tarifa social?", questionou.
O diretor comercial lembrou de uma pesquisa realizada pela Compesa, onde verificou-se que o consumo médio de residências de pequeno porte, que não possuíam hidrômetro e tiveramo equipamento instalado, correspondeu a 28 metros cúbicos de água. "Já pegamos consumo de até 40 metros cúbicos", completou. Décio Padilha garantiu que a instalação dos equipamentos e o recadastramento não está sendo cobrado aos consumidores.
Fonte: Diário de Pernambuco (http://www.diariodepernambuco.com.br/)