Novo modelo de processo seletivo

Ministro Fernando Haddad explicou aos reitores a proposta do MEC Com a presença do ministro da Educação, Fernando Haddad, de assessores do MEC e do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) reuniu, ontem (6), em Brasília, o Conselho Pleno para discutir a proposta do MEC de implantação do novo processo seletivo para acesso ao ensino superior público. Na ocasião, o presidente da Andifes e reitor da UFPE, Amaro Lins, destacou a importância de se preservar a autonomia das universidades, que podem aderir ou não à proposta do MEC. “As decisões de cada universidade serão tomadas nos seus conselhos superiores”, afirmou. No encontro, o ministro explicou que, pela nova forma de seleção, os candidatos farão a prova do Enem e depois o Inep disponibilizará as notas. De posse delas, o estudante aplica sua pontuação para o curso e universidade desejados, com direito a cinco opções de curso. Dessa forma, segundo Haddad, “haverá maior mobilidade dos estudantes”. Ante a preocupação dos reitores com relação às medidas de assistência estudantil, o ministro reconheceu que a proposta implica um “desafio maior na questão da permanência” e garante que o MEC está comprometido com isso. Outra premissa da Andifes, atendida pelo MEC, é a participação da Associação na construção e organização do processo, com colaborações inclusive técnicas sobre as provas. A este respeito, o ministro afirmou que o novo modelo de seleção precisará de um comitê de governança, que contaria com representantes das universidades. Alguns reitores lembraram a preocupação com as disparidades regionais existentes entre as universidades, temerosos de que estudantes de outros estados ficassem com a maioria das vagas, em detrimento da comunidade regional. Tanto o ministro quanto o presidente do Inep afirmaram que as provas selecionam de forma parecida, sejam os vestibulares tradicionais ou o Enem. Quanto a este ponto, o ministro acredita que as cotas sociais também contribuem para diminuir as diferenças. No debate de ideias, a maioria dos dirigentes das universidades questionou aspectos operacionais do processo, como a segurança na aplicação das provas, opções dos cursos e instituições, os prazos para publicação dos editais e divulgação das notas. O MEC se comprometeu a enviar à Andifes, amanhã (8), uma nota técnica com esse tipo de esclarecimentos. O tempo para a implantação da mudança também é preocupação recorrente entre os reitores. Como o vestibular é um processo complexo e demorado, muitos dos editais das Ifes já estão em andamento e até em fase de conclusão, para se tornarem públicos. O ministro acredita que a mudança pode ser aplicada já no processo seletivo de 2010, principalmente para as universidades que decidirem adotar o Enem como fase única de seleção. Alguns reitores ponderaram a possibilidade de fazer uma segunda fase, por exemplo. Neste caso, o ministro concorda que é mais difícil, devido ao tempo, pois o Inep teria que divulgar os resultados em tempo hábil para a continuação do processo seletivo, mas garante que é uma ideia a ser considerada. COMITÊ - No segundo dia de reunião com Pleno da Andifes, hoje (7), o presidente da entidade, Amaro Lins, requisitou que cada regional e o Fórum de pró-reitores de Graduação (Forgrad) indiquem seus representantes para comporem o comitê de governança, que deve acompanhar o processo de estruturação do novo modo de seleção. Definido esse grupo, o reitor Amaro entende que deve haver uma reunião imediata com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para definir as atribuições do comitê e um cronograma de atividades. A direção da Andifes também sugeriu a realização de um seminário com o objetivo de reunir experiências e discussões das universidades e contar com representações diversas interessadas no tema. DIVERSIDADE - Os pontos levantados por diversos reitores mostraram a pluralidade de opiniões e a intensidade do debate. Os dirigentes deixaram clara a intenção de aprimorar o processo seletivo das universidades federais, premissa recorrente na Andifes. O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aloísio Teixeira, ressaltou que a proposta está em construção: “Várias das nossas universidades já usam o Enem e diversos sistemas de ingresso, como cotas e avaliação seriada. Essa diversidade é boa, nada foi imposto por lei. A discussão é riquíssima e não vai se encerrar aqui”. O reitor da UFRJ ainda lembrou a definição dos papeis do MEC e das universidades: “O que compete ao MEC é mudar o Enem, oferecer segurança; cabe às universidades definir suas estratégias”, afirmou.