Trabalho e sociabilidade em pauta no FSM

Além da realidade amazônica, o evento contou com a reflexão sobre a realidade do sudeste brasileiro, Moçambique, Angola e Portugal.

Pesquisadores de quatro países lusófonos se reuniram na tarde desta quarta-feira (28), durante o Fórum Social Mundial, para discutir sobre sociabilidade e trabalho nos tempos atuais. O evento foi uma realização do Projeto “Organizações, trabalho e sociabilidade no contexto da mundialização: integração de estudos em Moçambique, Angola, Portugal e Brasil (Amazônia)”. O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (PPGCS) participou da programação com exposições de pesquisas que aplicam as temáticas ao contexto local.

A professora Ida Lenir Gonçalves, da UFPA e da FAP (Faculdade do Pará), apresentou a pesquisa que realizou nos supermercados de Belém, analisando como se dá a sociabilidade entre os trabalhadores. Dentre as características que verificou, destacam-se as relações para além do ambiente de trabalho, em que a confiança e as semelhanças de cargo e sexo são fatores importantes de aproximação.

Já a professora Angélica Alberto do Espírito Santo, do PPGCS, expôs alguns aspectos identificados na pesquisa que está realizando sobre a precarização do trabalho dos artistas paraenses. O corpus do estudo abrange os músicos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e os atores do Grupo Cuíra. “Em ambas as situações, o trabalho é mal remunerado e não há proteção das leis. Os artistas acabam pagando para fazer arte”, é a conclusão preliminar da pesquisadora.

Além da realidade amazônica, o evento contou com a reflexão sobre a realidade do sudeste brasileiro, Moçambique, Angola e Portugal. “Eu destacaria duas coisas na discussão feita. Primeiro, a que trata de estudos pertinentes e atuais sobre as consequências da globalização em países distintos, mas de mesmo idioma. E segundo, as que são estudos empíricos e mostram os vários impactos desse processo de crise do capitalismo”, aponta o professor José Maria Carvalho Ferreira, do Instituto Superior de Economia e Gestão de Portugal.

Em linhas gerais, as discussões apontaram para as novas relações de trabalho, que se caracterizam por serem flexíveis, instáveis e precárias. Neste contexto, surgem também novas formas de sociabilidade, por exemplo, as associações, os grupos e as cooperativas de trabalhadores. Identificar e analisar como esses aspectos acontecem nos quatro países mencionados são os objetivos principais dos pesquisadores do projeto.

Suzana Lopes, Assessoria de Comunicação da UFPA