HOMOFOBIA NA CASA DO ESTUDANTE

Acusação de homofobia tumultua Casa do Estudante
Uma suposta acusação de homofobia desencadeou um clima tenso de insultos e agressões entre os estudantes da Casa do Estudante Universitário (CEU) da UFPE. Segundo a atual direção da casa, formada por estudantes homossexuais, um grupo de residentes teria feito ameaças e incitado o preconceito sexual dentro da unidade. O mal-estar teria começado semana passada, após ter sido divulgado o resultado das eleições anuais para a nova diretoria, vencidas nas urnas pela chapa Atitude, composta por alunos heterossexuais. A partir de então, a rixa teria se acirrado. Alguns estudantes dizem ter sido alvo de uma série de "agressões homofóbicas" por parte do outro grupo. O caso foi parar na delegacia. Anteontem, o Departamento de Assuntos Estudantis (DAE), vinculado à Pró-reitoria para Assuntos Acadêmicos (Proacad) da UFPE, recebeu uma denúncia formal sobre o caso. A queixa também foi registrada na Delegacia da Várzea. No boletim do ocorrência, eles dizem ter sido vítimas de calúnia, difamação, ameaça e agressão física e verbal pelo fato de serem gays. "Um deles me insultou e ameaçou cortar o meu pescoço. Estou com medo", disse um dos rapazes, que não quis se identificar. Segundo versão contada por eles, na última quarta-feira, um grupo da chapa rival fez uma comemoração na quadra do Núcleo de Educação Física e Desportos (NEFD) com ataques homofóbicos. Um residente teria estendido um lençol azul na janela e gritado frases de orgulho hétero. Nessa mesma noite, um outro teria insultado e ameaçado de morte um dos homossexuais. Seguranças da guarda patrimonial da UFPE foram acionados ao local, mas, segundo representantes dos homossexuais, nenhuma medida foi tomada. No domingo, eles dizem que os héteros voltaram a fazer ameaças com barulho nos corredores e gritos de "viva a homofobia". Integrantes da chapa Atitude negaram ter havido manifestação homofóbica. Eles rebateram a acusação dizendo que a direção atual permite que drogas e pessoas estranhas entrem no prédio. "Eles também andam de saia pela casa e fazem provocações. Colocaramum telefone rosa no térreo e atendem dizendo que esta é uma casa gay", disse outro residente, também que não quis revelar a identidade. A pró-reitora acadêmica da UFPE, Ana Cabral, afirmou, ontem, que irá abrir sindicância interna para apurar o caso e disse que a instituição "condena qualquer intolerância de sexo, cultura e etnia". A conclusão das investigações deve sair no prazo de 30 a 60 dias. É notícia no Diário de Pernambuco do dia 26/11/2008.