CADERNO GRANDE RECIFE - FOLHA DE PERNAMBUCO

Paz é pedida em protesto
LARISSA BRAINER
Há cerca de 20 dias, Rejane da Silva, 43 anos, perdeu o filho de 18 anos. Ele foi assassinado. Rejane e seu filho são duas entre as várias pessoas que sofrem diariamente com a violência e a falta de segurança na comunidade de Sítio dos Pintos, em Dois Irmãos. “Estou com medo de sair na rua, medo de dormir. Minha filha de 15 anos também está temerosa em sair de casa”, desabafou a vendedora. Liziane Cristina da Silva, 18 anos, também juntou-se ao coro, revelando seu pavor com tamanha insegurança no bairro. “Não saímos à noite. Durante o dia, saímos e não sabemos se vamos voltar”, disse. E foi para pedir paz, segurança e os direitos básicos do cidadão que Rejane, Liziane e outros moradores se reuniram, ontem, no Apitaço da Paz, na própria comunidade. O manifesto foi promovido pela Comissão Pró-Arraial de Sítio dos Pintos (Compasp) como uma das atividades do Plano de Ações para a Comunidade de Sítio dos Pintos. “Nosso objetivo é chamar a atenção do poder público para a violência na comunidade. Não queremos apenas policiamento. Queremos projetos sociais que mudem a nossa realidade, que dêem oportunidade aos nossos jovens”, afirmou o coordenador do Compasp, Zé Alberto da Silva. No muro em frente à Escola Municipal Mundo Esperança, alunos e integrantes da comunidade colavam cartazes expondo seus desejos e reivindicações para a localidade onde moram. Educação, Transporte, Respeito, Saúde, Amor e Vida eram algumas das palavras presentes. “Também queremos fazer a comunidade pensar no exercício da cidadania”, explicou Zé Alberto. O 13° Batalhão da Polícia Militar (BPM), responsável pela área, foi contactado pela reportagem da Folha , mas sem sucesso.